sábado, 22 de maio de 2010

tecnologias da educação

Cidades digitais, um mercado promissor

Aos poucos, vários prefeitos estão se interessando em usar a TI para melhorar a gestão de municípios e a prestação de serviços à população.
A tecnologia da informação tem um novo papel a cumprir no mundo. Após impulsionar o trabalho de cientistas, renovar os negócios de empresas e, recentemente, mostrar seu valor social e colaborativo, é hora de ajudar as cidades ao redor do mundo a entrarem no novo século, de uma forma moderna e conectada. Estamos ainda vivendo o embrião desse movimento que conta com boas perspectivas, mas há quem o imagine como uma renovação sem precedentes da gestão pública, com a consolidação de todas as teorias sobre sociedade da informação e até mesmo um novo aquecimento de mercado comparável ao Bug do ano 2000.

Esse fenômeno - e mesmo sua definição de espectro - ainda está indefinido. O termo mais usado é cidades digitais. Mas, há quem utilize cidades inteligentes e e-cities. A diferença está no tamanho da revolução que a tecnologia proporciona e na abrangência da estratégia do gestor público. Essencialmente, trata-se de uma comunidade capaz de se relacionar por meio de infraestrutura de banda larga confiável, com serviços inovadores aos cidadãos, que consegue equalizar desenvolvimento com educação e ainda tem agilidade para se modernizar ainda mais. Ou seja, estamos falando de uma ótima cidade para se viver nesses tempos de celulares, Internet e comunicação digitalizada.
No Brasil, o movimento de cidades digitais é consistente, embora não se saiba quantos dos 5.564 municípios brasileiros podem ser enquadrados nessa nova onda. Existem entre 50 e 60 casos conhecidos. Acredita-se que existam ainda mais regiões capazes de entrar nessa lista. Há muitas prefeituras que se entusiasmaram com o conceito e estão procurando empresas que possam ajudá-las a entrar nesse novo mundo conectado.

"Estamos com 30 projetos de cidades do Piauí que querem se tornar digitais", aponta o diretor técnico da Safetway, uma revenda Motorola situada em Teresina, Reginaldo Marreiros. A maioria deve vingar nos próximos meses. Os prefeitos ficaram interessados depois que Parnaíba, situado no litoral do Estado e com 150 mil habitantes, implementou o programa de cidade digital.

O município é o segundo mais populoso do Estado e, historicamente, tem a economia dependente da extração de recursos naturais e de algumas indústrias de alimentos e perfumaria. Contudo, as belas paisagens têm elevado o interesse turístico na região, e a presença de uma universidade estadual, uma federal e várias faculdades tem transformado a cidade em pólo educacional. Assim, com a economia em transformação, o município precisou se modernizar.

O primeiro passo da digitalização de Parnaíba foi a implementação de uma infraestrutura de banda larga wireless para interligar os prédios públicos, serviços de atendimento e sistemas de saúde e segurança. Após a finalização desse processo, mais de 100 escolas receberam conexão à Internet, para uso dos alunos em sala de aula e também para o aperfeiçoamento dos professores e a melhora na troca de dados entre os órgãos educacionais. "Tivemos de montar uma estrutura sem fio porque não havia banda larga cabeada confiável, o único serviço existente fornecia apenas 300Kbps", explica Marreiros.

O projeto foi realizado com plataforma de banda larga sem fio da Motorola, que criou um backbone de Internet em uma área de 16 quilômetros em torno de uma torre central. A conexão foi posteriormente expandida com uma rede WLAN (Wireless Local Area Network), que utiliza portas de acesso e switches sem fio distribuídos por sete pontos remotos. Com isso, o acesso ficou garantido para a população e turistas em vários pontos, como o Aeroporto Internacional João Silva Filho, Terminal Rodoviário Interestadual, Praça de Eventos, Universidades Federal e Estadual do Piauí, Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e Porto das Barcas.

A segunda fase prevê a instalação de câmeras de vigilância que transmitirão as imagens para uma central da Guarda Civil Municipal. Além disso, está prevista a conexão de todo o sistema público de saúde à rede, o que favorecerá a população no agendamento de consultas e no levantamento de histórico clínico dos pacientes. O projeto também prevê o desenvolvimento de bibliotecas virtuais nas instituições de ensino, além da criação de telecentros.

Primeiros passos no mundo digital

Em geral, esse tem sido o caminho adotado por prefeituras que querem se tornar cidades digitais. "Antes de tudo, elas querem uma banda larga confiável para interligar as entidades operacionais públicas e melhorar a troca de informações e a gestão", destaca o gerente da área de Governo e Empresas da Motorola, Joeval Martins.

Posteriormente, ganham prioridade os planos de inclusão digital e melhoria do sistema educacional. Em uma terceira etapa, começam a surgir novos serviços à população. Tudo isso dentro de um ambiente digital. "Com o tempo, os prefeitos entendem que a rede é apenas um meio e começam a inovar", diz Martins.

O projeto de Parnaíba foi inspirado pelo pioneirismo de Macaé (RJ), considerada por muitos a cidade mais digitalizada do Brasil. Neste município carioca, que tem se desenvolvido devido à indústria do petróleo e possui cerca de 200 mil habitantes, o caminho da modernização digital começou com a interligação de 27 prédios da municipalidade por meio de uma rede sem fio WiMesh.

A ampliação do projeto alcançou os postos e a Secretaria de Saúde, bem como cinco praças da região e distritos vizinhos. A rede sem fio de alta velocidade gerou inovações impensáveis anteriormente. O município conta atualmente com uma espécie de telemedicina no sistema de saúde. "Por meio de um celular com câmera, um agente de saúde pode mandar uma imagem de um paciente para que um médico avalie a situação remotamente", explica o diretor da revenda Jevin, Guilherme Cunha, que implementou o projeto na cidade.

Nos últimos meses, Macaé tem implantado o Ofício Digital. O software desenvolvido pela Secretaria de Ciência e Tecnologia é utilizado por 395 usuários espalhados por 146 unidades administrativas. O sistema auxilia na criação e no envio de documentos oficiais, além de facilitar a recuperação desses dados.

Mas, as cidades digitais podem chegar ainda mais longe. Em Cingapura, um sistema inteligente de previsão de tráfego é utilizado para priorizar o uso de transporte coletivo e melhorar o trânsito em horários de pico. Sensores e câmeras se comunicam com um software que controla a abertura de semáforos e facilita a passagem das vias que possuem mais ônibus e estão mais carregadas. Os cidadãos contam ainda com um bilhete que permite utilizar estacionamentos, trens, ônibus e taxis. Os dados são gerenciados pelo governo.

Em Malta, um pequeno arquipélago no Mediterrâneo, sensores e softwares ajudam o governo a economizar energia. O país possui diversas fontes energéticas e, de acordo com a demanda, o sistema direciona o consumo para que a prioridade seja dada para as alternativas mais limpas e sustentáveis. A tecnologia também evita apagões, usando a inteligência digital para evitar cortes repentinos por excesso de carga.

Fonte: inclusao.ibict.br

domingo, 4 de abril de 2010

Texto jornalístico

Elogio à técnica
Processo de desenvolvimento tecnológico ajuda a compreender as contradições do sistema capitalista

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA

É técnica a questão da técnica. Não coloca o problema da procura de sua verdade, de como ela nos relaciona de modo muito específico com o Ser. E o motivo é muito simples, pois me parece que existem técnicas e técnicas, e não vejo a possibilidade de encaixar, sob uma única cláusula, os mais diversos relacionamentos que os seres humanos mantêm com o universo mediante construções feitas por eles mesmos.
No final das contas, a linguagem também não é uma técnica de transformar sinais em símbolos? Do mesmo modo, o discurso sobre a técnica, a tecnologia, teórico ou prático, continua a ser uma fala ligada a procedimentos de experimentação e construção.
Em resumo, a oposição radical entre conhecimento e técnica não mais existe, se já existiu, de sorte que interessa examinar o que se entende quando se fala do saber e do fazer desse do ponto de vista.

Perigo e responsabilidade
Não cabe menosprezar os perigos da tecnologia, os efeitos colaterais das novas drogas, o inesperado cansaço de materiais artificialmente submetidos a pressões adversas assim como as técnicas da guerra e dos campos de concentração.
Mas esses perigos no mínimo são equiparáveis àqueles processos naturais em transformação, tais como erupções vulcânicas fantásticas, terremotos e tsunamis avassaladores e assim por diante. Nesse ponto, a questão é de responsabilidade.
Mas não exageremos esse ponto, pois, se falamos ao telefone e assistimos à televisão sem entender o que se passa além de sua aparência, isso sempre valeu para o ato de alimentar, pois pouquíssimos são aqueles que sabem da digestão de um grão de trigo.
Além disso, é simplesmente ideológico imaginar que tudo o que vem da natureza é bom.
No final das contas, o veneno das aranhas e o ópio são produtos naturais, mas no veneno da jararaca se encontrou uma substância que tem sido muito usada no tratamento da hipertensão. No fundo dessa posição ingênua reside o postulado de que a natureza é obra divina feita sem trabalho, embora Jeová tenha descansado depois de seis dias de criação.
Desde os primórdios da filosofia, essa idéia religiosa se tornou leiga, inspirando um duplo conceito de razão. O primeiro, substantivo, que indaga de onde nós viemos, o que nós somos e o que deveríamos ser; o segundo, meramente técnico, pelo qual, dados certos fins, se procuram os meios para que sejam realizados.
Em que medida a procura dos meios também não configura o fim visado? Aqui nos interessa, porém, outro lado da questão: parte da filosofia contemporânea tem deixado de lado esses conceitos de razão porque questiona essa diferença na medida em que hoje sabemos que qualquer raciocínio efetivo pode ser reconstruído por sistemas formais, por lógicas diferentes.
Nem mesmo a análise de conceitos se livra de métodos construtivos. Em suma, o sólido terreno da lógica, até então pensado como pavimento dos procedimentos racionais, também pode ser pensado tecnologicamente. Daí uma determinação recíproca muito variada entre conhecimento e tecnologia, um lado colocando problemas para o outro e vice-versa.
Conhecimento e técnica só podem então vir a ser perigosos no seu uso, particularmente no seu uso social.
Se este também é técnico, o é na medida em que inclui técnicas de controle, toda uma rede de instituições que lutam para criar e se apropriar da tecnociência em seu proveito.
Não existem dois planos separados, esse da tecnociência e aquele de seu emprego no contexto quer da concorrência cruzada entre instituições privadas e estatais, quer no conflito entre as nações. Precisando: são essas instituições particularizadas ou globalizadas que dirigem o "mainstream" do progresso das ciências e das técnicas.

Progresso
Já na fase mais elementar do financiamento de um projeto de pesquisa, a liberdade de escolha é conformada pelas políticas de Estado, pelas fundações financiadoras, pelo sistema de publicação dos novos conhecimentos e, sobretudo, pela conversão da teoria num produto pelos grandes institutos e laboratórios privados.
É sabido que a invenção científica e tecnológica tem passado ao largo das universidades que, se não se encaixam nas redes de produção tecnocientífica, tendem a produzir apenas mão-de-obra qualificada.
Não se deduza dessas minhas indicações que estou pulando de contente com o extraordinário progresso do conhecimento e da tecnologia que experimentamos desde os meados do século 19. Se o avanço da tecnociência me admira quando nos dá instrumentos extraordinários para resolvermos nossos problemas atuais, igualmente me horroriza quanto tais instrumentos são postos em razão de políticas assassinas.
Os instrumentos das ciências e das técnicas nunca foram neutros do ponto de vista político, mas a partir dos meados do século 19 começa um crescimento exponencial de novas teorias e do número de pesquisadores, na medida em que a produção da ciência se torna uma força produtiva. Sempre saber e poder fazer mais criaram vantagens no embate entre as nações.
Mas, claramente depois da Segunda Guerra Mundial, esse processo de ganhar na margem se converte numa luta de ganhar pela ampliação e controle dessa margem.

Explorar a contradição
Siracusa podia imaginar que queimaria a frota inimiga utilizando os espelhos concêntricos desenhados por Arquimedes; o doge podia imaginar que a luneta apresentada por Galileu lhe traria vantagens contra os inimigos de Veneza; mas a corrida pela fabricação da bomba atômica não se resumiu a uma apropriação de teorias feitas, mas se abriu numa corrida vertiginosa para obter novos conhecimentos, somente disponíveis graças ao investimento de capitais fabulosos.
Em que medida o circuito desses capitais determina e é determinado pelo desenvolvimento do saber fazer? Isso se reproduz nos tempos de paz, quando, por exemplo, a associação entre o Estado e a indústria bélica americanos se torna tão potente que o inimigo interno, em particular a guerrilha, se torna muito mais importante do que o inimigo externo.
E a guerrilha não é antes de tudo a vontade de usar procedimentos elementares para emperrar a grande máquina do mundo cotidiano?
Não tem mais sentido dizer que mesmo a produção da ciência pode ser feita para o bem ou para o mal. Ela progride pelo empuxo dos mais fortes politicamente, mas a cada passo adiante ela também abre poros nesse grande sistema, exibindo suas contradições.
De um lado, não há a tecnociência; de outro, há o controle de tudo o que é novo pela dinâmica do capital. A pergunta não consiste então no modo como se exploram a contradições para que uma nova forma de sociabilidade, menos predadora, possa ser pelo menos sonhada?
E o sonho não é técnico.


JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e coordenador da área de filosofia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve regularmente na seção "Autores".

A práxis pedagógica presente e futura e os conceitos de verdade e realidade frente às crises do conhecimento no século xx: Maria Helena Bonilla.

No texto de Bonilla inicialmente ela aborda á questão relacionada ao conceito de verdade e realidade; questão essa que está relacionada ao pensamento humano e sua ação e que segundo Bohm (1989:143) depende da ordem, momento histórico e sociedade, sendo assim surgem as diferentes ideias de ordem dando existência a uma nova cosmovisão. Segundo Bonilla a ligação entre o homem com a natureza passa a ser considerada interativa.
Em um outro momento do texto a autora fala sobre a questão da práxis pedagógica, momento esse que mais chamou minha atenção no texto, pois a mesma fala que á escola dos dias de hoje trabalha no propósito de reprodução e transmissão do modelo hegemônico, fechada à exterioridade. Sendo assim onde fica as transformações que vem ocorrendo nos dias atuais?.
Bonilla em seu texto questiona esse modelo de escola que não consegue abranger complexidade do mundo atual, onde para a mesma precisa acontecer mudanças profundas na sala de aula que reúna novas formas de ser, pensar e de agir,principalmente com a presença das tecnologias da informação e da comunicação ( pg 78,2005,BONILLA).

TEXTO DE

segunda-feira, 29 de março de 2010

O iNada, uma Revolução Tecnológica.

"Frase de um agente publicitário: O problema não é convencer, mas manter viva a idéia de que aquilo é realmente necessário..."


Será que podemos criar um novo comportamento sem imitar?
Estavam todos eufóricos, mas diante de um grande impasse. O produto era revolucionário, mas havia um enorme problema, não tinha utilidade nenhuma, ou seja, não servia para nada; pelo menos nada que pudessem naquele momento vislumbrar. E o departamento de idéias foi chamado para ver se encontrava alguma utilidade para o objeto, e muitas reuniões e debates depois, nada se conseguiu.

“Isso não pode estar acontecendo”, comentou desolado o pesquisador chefe; “é um produto bonito, perfeito em formato e tamanho; vejam que beleza de desenho, e não serve para nada!”.
“Já sei" disse outro, "o departamento de publicidade pode nos ajudar a encontrar uma solução; eles são criativos, vão achar uma utilidade para isso.”. E todos concordaram. Foram então consultar o departamento, e a resposta foi simples e enfática: “Pode trazer; fabricar pode não ser um problema nosso, mas vender qualquer coisa, isso é!”.

Contente com a possibilidade, a comissão de cientistas ainda duvidou: “Olha que isso não é qualquer coisa, pode ser um desafio até para vocês”. E o chefe da publicidade riu e disse: “Somos movidos à desafios!” , e em seguida lembrou do famoso caso do aparelho de barbear a laser, capaz de remover de vez os pelos de qualquer pessoa. O problema é que sem pelos, não haveria mais a necessidade do usuário comprar o aparelho, o que o tornaria um objeto descartável, feito para ser usado uma vez apenas, constituindo um grande problema para a empresa. Mas bastou uma abordagem inteligente e foi um sucesso de vendas, que durava até os dias atuais.

E eles trouxeram o novo e revolucionário invento. E o chefe dos publicitários foi logo perguntando: “O que ele faz?“. “Nada, ele não faz absolutamente nada!” , disse o cientista chefe. Os publicitários se entreolharam por um instante, e depois de cada um examinar pessoalmente o pequeno acessório, comentaram: “É bonitinho. Mas não faz nada; quer dizer, não serve para nada mesmo?“. “Não” , foi o coro unânime dos cientistas. “Mas, se não serve para nada porque foi criado?”.

Aquela era uma pergunta interessante, uma vez que nenhum dos cientistas sabia responder de forma convincente. E um deles disse: “Foi criado, porque ninguém jamais havia criado antes um utilitário absolutamente sem função nenhuma!” . O chefe dos publicitários sorriu e disse: “Vai ser um sucesso de vendas!” . Os outros não conseguiam acreditar naquilo que acabavam de ouvir. Pensavam consigo mesmos; como uma coisa que não serve para nada pode se tornar um sucesso de vendas? Perguntaram então: “Estamos tão curiosos que, gostaríamos de acompanhar a elaboração da campanha. Podemos?”. “Claro que sim” , disse o outro, “afinal, vamos precisar de mais informações técnicas, sobre essa pequena maravilha capaz de não fazer nada!”.

A confiança do chefe da publicidade convenceu à todos. E no dia e hora marcada para início dos trabalhos, o inventor foi pessoalmente explicar sua criação à equipe publicitária. Ele disse:

“Como podem ver, é um aparelho pequeno, leve, fininho como um cartão de crédito, o que permite guardá-lo com facilidade em qualquer lugar. Mais ainda; é todo revestido de titânio prensado, última palavra em materiais duráveis. Assim, tem um tempo de vida útil estimado em 300 anos. É a prova de água, de fogo, de choques, de quedas, uma vez que não tem nada dentro, e portanto nada que possa ser danificado; e não usa bateria. Mas é uma grande descoberta de nossa equipe de inventores, especialmente a cor, que é uma cor inexistente...” . E antes que pudesse concluir, o chefe dos redatores completou: “É por isso que será um sucesso! E mais, ainda não precisa de baterias; perfeito!” . E ele explicou como fariam a abordagem.

“Vamos convencer as pessoas, das vantagens em se possuir um objeto que não serve para nada. Num mundo onde tudo tem uma utilidade, mesmo que não seja uma necessidade, este produto se destaca por não servir para absolutamente nada; é algo portanto, que ninguém ainda possui, diferente de tudo. Todos desejarão um. Depois convenceremos todos que possuir dois é melhor que um, para um caso de eventual perda acidental. Vamos enfatizar na campanha, que tal objeto é uma revolução na conduta do homem desse novo século. Um homem que já possui tudo, e que agora demonstra seu poder de transformação e desapego ao não desejar nada, pois é exatamente o que lhe proporcionará o objeto, nada!”.

Foi um espetacular sucesso, campanha, produto e as vendas. E aquela indústria precisou mesmo criar novas linhas de montagens, para atender os pedidos que não paravam de chegar. Novos modelos foram lançados, novas cores inexistentes, ou até existentes para atender as preferências de alguns grupos, e todos com a mesma característica que ajudou a torná-lo o objeto de desejo mais cobiçado do mundo; isto é, o fato de não servir para absolutamente nada.

Passados os anos, o mercado já saturado de tantos objetos de fazer nada, os “iNadas” como foram chamados, o departamento de publicidade é chamado para resolver uma nova questão: Como fazer para manter, ou mesmo incrementar o volume de vendas do produto. Eles sorriram e disseram:

“Isso é muito simples. Agora vamos incrementar qualquer coisa ao aparelho e anunciar que se trata de uma renovação daquilo que já era novo. Por exemplo, vamos acrescentar ao aparelho de fazer nada, botões coloridos que também não fazem nada, e pode ter certeza de uma coisa; o sucesso será maior que o modelo original”.

E foi!


Autor: Alberto S. Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com



Notas:

[1] Alberto S. Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são bem humoradas fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.
http://sitededicas.uol.com.br/conto_r13.htm

VÍDEO SOBRE O MULTICULTURALISMO

Vídeo Pós- Mordenidade (COMTEPORANEIDADE