segunda-feira, 5 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Texto jornalístico
Elogio à técnica
Processo de desenvolvimento tecnológico ajuda a compreender as contradições do sistema capitalista
JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA
É técnica a questão da técnica. Não coloca o problema da procura de sua verdade, de como ela nos relaciona de modo muito específico com o Ser. E o motivo é muito simples, pois me parece que existem técnicas e técnicas, e não vejo a possibilidade de encaixar, sob uma única cláusula, os mais diversos relacionamentos que os seres humanos mantêm com o universo mediante construções feitas por eles mesmos.
No final das contas, a linguagem também não é uma técnica de transformar sinais em símbolos? Do mesmo modo, o discurso sobre a técnica, a tecnologia, teórico ou prático, continua a ser uma fala ligada a procedimentos de experimentação e construção.
Em resumo, a oposição radical entre conhecimento e técnica não mais existe, se já existiu, de sorte que interessa examinar o que se entende quando se fala do saber e do fazer desse do ponto de vista.
Perigo e responsabilidade
Não cabe menosprezar os perigos da tecnologia, os efeitos colaterais das novas drogas, o inesperado cansaço de materiais artificialmente submetidos a pressões adversas assim como as técnicas da guerra e dos campos de concentração.
Mas esses perigos no mínimo são equiparáveis àqueles processos naturais em transformação, tais como erupções vulcânicas fantásticas, terremotos e tsunamis avassaladores e assim por diante. Nesse ponto, a questão é de responsabilidade.
Mas não exageremos esse ponto, pois, se falamos ao telefone e assistimos à televisão sem entender o que se passa além de sua aparência, isso sempre valeu para o ato de alimentar, pois pouquíssimos são aqueles que sabem da digestão de um grão de trigo.
Além disso, é simplesmente ideológico imaginar que tudo o que vem da natureza é bom.
No final das contas, o veneno das aranhas e o ópio são produtos naturais, mas no veneno da jararaca se encontrou uma substância que tem sido muito usada no tratamento da hipertensão. No fundo dessa posição ingênua reside o postulado de que a natureza é obra divina feita sem trabalho, embora Jeová tenha descansado depois de seis dias de criação.
Desde os primórdios da filosofia, essa idéia religiosa se tornou leiga, inspirando um duplo conceito de razão. O primeiro, substantivo, que indaga de onde nós viemos, o que nós somos e o que deveríamos ser; o segundo, meramente técnico, pelo qual, dados certos fins, se procuram os meios para que sejam realizados.
Em que medida a procura dos meios também não configura o fim visado? Aqui nos interessa, porém, outro lado da questão: parte da filosofia contemporânea tem deixado de lado esses conceitos de razão porque questiona essa diferença na medida em que hoje sabemos que qualquer raciocínio efetivo pode ser reconstruído por sistemas formais, por lógicas diferentes.
Nem mesmo a análise de conceitos se livra de métodos construtivos. Em suma, o sólido terreno da lógica, até então pensado como pavimento dos procedimentos racionais, também pode ser pensado tecnologicamente. Daí uma determinação recíproca muito variada entre conhecimento e tecnologia, um lado colocando problemas para o outro e vice-versa.
Conhecimento e técnica só podem então vir a ser perigosos no seu uso, particularmente no seu uso social.
Se este também é técnico, o é na medida em que inclui técnicas de controle, toda uma rede de instituições que lutam para criar e se apropriar da tecnociência em seu proveito.
Não existem dois planos separados, esse da tecnociência e aquele de seu emprego no contexto quer da concorrência cruzada entre instituições privadas e estatais, quer no conflito entre as nações. Precisando: são essas instituições particularizadas ou globalizadas que dirigem o "mainstream" do progresso das ciências e das técnicas.
Progresso
Já na fase mais elementar do financiamento de um projeto de pesquisa, a liberdade de escolha é conformada pelas políticas de Estado, pelas fundações financiadoras, pelo sistema de publicação dos novos conhecimentos e, sobretudo, pela conversão da teoria num produto pelos grandes institutos e laboratórios privados.
É sabido que a invenção científica e tecnológica tem passado ao largo das universidades que, se não se encaixam nas redes de produção tecnocientífica, tendem a produzir apenas mão-de-obra qualificada.
Não se deduza dessas minhas indicações que estou pulando de contente com o extraordinário progresso do conhecimento e da tecnologia que experimentamos desde os meados do século 19. Se o avanço da tecnociência me admira quando nos dá instrumentos extraordinários para resolvermos nossos problemas atuais, igualmente me horroriza quanto tais instrumentos são postos em razão de políticas assassinas.
Os instrumentos das ciências e das técnicas nunca foram neutros do ponto de vista político, mas a partir dos meados do século 19 começa um crescimento exponencial de novas teorias e do número de pesquisadores, na medida em que a produção da ciência se torna uma força produtiva. Sempre saber e poder fazer mais criaram vantagens no embate entre as nações.
Mas, claramente depois da Segunda Guerra Mundial, esse processo de ganhar na margem se converte numa luta de ganhar pela ampliação e controle dessa margem.
Explorar a contradição
Siracusa podia imaginar que queimaria a frota inimiga utilizando os espelhos concêntricos desenhados por Arquimedes; o doge podia imaginar que a luneta apresentada por Galileu lhe traria vantagens contra os inimigos de Veneza; mas a corrida pela fabricação da bomba atômica não se resumiu a uma apropriação de teorias feitas, mas se abriu numa corrida vertiginosa para obter novos conhecimentos, somente disponíveis graças ao investimento de capitais fabulosos.
Em que medida o circuito desses capitais determina e é determinado pelo desenvolvimento do saber fazer? Isso se reproduz nos tempos de paz, quando, por exemplo, a associação entre o Estado e a indústria bélica americanos se torna tão potente que o inimigo interno, em particular a guerrilha, se torna muito mais importante do que o inimigo externo.
E a guerrilha não é antes de tudo a vontade de usar procedimentos elementares para emperrar a grande máquina do mundo cotidiano?
Não tem mais sentido dizer que mesmo a produção da ciência pode ser feita para o bem ou para o mal. Ela progride pelo empuxo dos mais fortes politicamente, mas a cada passo adiante ela também abre poros nesse grande sistema, exibindo suas contradições.
De um lado, não há a tecnociência; de outro, há o controle de tudo o que é novo pela dinâmica do capital. A pergunta não consiste então no modo como se exploram a contradições para que uma nova forma de sociabilidade, menos predadora, possa ser pelo menos sonhada?
E o sonho não é técnico.
JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e coordenador da área de filosofia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve regularmente na seção "Autores".
Processo de desenvolvimento tecnológico ajuda a compreender as contradições do sistema capitalista
JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA
É técnica a questão da técnica. Não coloca o problema da procura de sua verdade, de como ela nos relaciona de modo muito específico com o Ser. E o motivo é muito simples, pois me parece que existem técnicas e técnicas, e não vejo a possibilidade de encaixar, sob uma única cláusula, os mais diversos relacionamentos que os seres humanos mantêm com o universo mediante construções feitas por eles mesmos.
No final das contas, a linguagem também não é uma técnica de transformar sinais em símbolos? Do mesmo modo, o discurso sobre a técnica, a tecnologia, teórico ou prático, continua a ser uma fala ligada a procedimentos de experimentação e construção.
Em resumo, a oposição radical entre conhecimento e técnica não mais existe, se já existiu, de sorte que interessa examinar o que se entende quando se fala do saber e do fazer desse do ponto de vista.
Perigo e responsabilidade
Não cabe menosprezar os perigos da tecnologia, os efeitos colaterais das novas drogas, o inesperado cansaço de materiais artificialmente submetidos a pressões adversas assim como as técnicas da guerra e dos campos de concentração.
Mas esses perigos no mínimo são equiparáveis àqueles processos naturais em transformação, tais como erupções vulcânicas fantásticas, terremotos e tsunamis avassaladores e assim por diante. Nesse ponto, a questão é de responsabilidade.
Mas não exageremos esse ponto, pois, se falamos ao telefone e assistimos à televisão sem entender o que se passa além de sua aparência, isso sempre valeu para o ato de alimentar, pois pouquíssimos são aqueles que sabem da digestão de um grão de trigo.
Além disso, é simplesmente ideológico imaginar que tudo o que vem da natureza é bom.
No final das contas, o veneno das aranhas e o ópio são produtos naturais, mas no veneno da jararaca se encontrou uma substância que tem sido muito usada no tratamento da hipertensão. No fundo dessa posição ingênua reside o postulado de que a natureza é obra divina feita sem trabalho, embora Jeová tenha descansado depois de seis dias de criação.
Desde os primórdios da filosofia, essa idéia religiosa se tornou leiga, inspirando um duplo conceito de razão. O primeiro, substantivo, que indaga de onde nós viemos, o que nós somos e o que deveríamos ser; o segundo, meramente técnico, pelo qual, dados certos fins, se procuram os meios para que sejam realizados.
Em que medida a procura dos meios também não configura o fim visado? Aqui nos interessa, porém, outro lado da questão: parte da filosofia contemporânea tem deixado de lado esses conceitos de razão porque questiona essa diferença na medida em que hoje sabemos que qualquer raciocínio efetivo pode ser reconstruído por sistemas formais, por lógicas diferentes.
Nem mesmo a análise de conceitos se livra de métodos construtivos. Em suma, o sólido terreno da lógica, até então pensado como pavimento dos procedimentos racionais, também pode ser pensado tecnologicamente. Daí uma determinação recíproca muito variada entre conhecimento e tecnologia, um lado colocando problemas para o outro e vice-versa.
Conhecimento e técnica só podem então vir a ser perigosos no seu uso, particularmente no seu uso social.
Se este também é técnico, o é na medida em que inclui técnicas de controle, toda uma rede de instituições que lutam para criar e se apropriar da tecnociência em seu proveito.
Não existem dois planos separados, esse da tecnociência e aquele de seu emprego no contexto quer da concorrência cruzada entre instituições privadas e estatais, quer no conflito entre as nações. Precisando: são essas instituições particularizadas ou globalizadas que dirigem o "mainstream" do progresso das ciências e das técnicas.
Progresso
Já na fase mais elementar do financiamento de um projeto de pesquisa, a liberdade de escolha é conformada pelas políticas de Estado, pelas fundações financiadoras, pelo sistema de publicação dos novos conhecimentos e, sobretudo, pela conversão da teoria num produto pelos grandes institutos e laboratórios privados.
É sabido que a invenção científica e tecnológica tem passado ao largo das universidades que, se não se encaixam nas redes de produção tecnocientífica, tendem a produzir apenas mão-de-obra qualificada.
Não se deduza dessas minhas indicações que estou pulando de contente com o extraordinário progresso do conhecimento e da tecnologia que experimentamos desde os meados do século 19. Se o avanço da tecnociência me admira quando nos dá instrumentos extraordinários para resolvermos nossos problemas atuais, igualmente me horroriza quanto tais instrumentos são postos em razão de políticas assassinas.
Os instrumentos das ciências e das técnicas nunca foram neutros do ponto de vista político, mas a partir dos meados do século 19 começa um crescimento exponencial de novas teorias e do número de pesquisadores, na medida em que a produção da ciência se torna uma força produtiva. Sempre saber e poder fazer mais criaram vantagens no embate entre as nações.
Mas, claramente depois da Segunda Guerra Mundial, esse processo de ganhar na margem se converte numa luta de ganhar pela ampliação e controle dessa margem.
Explorar a contradição
Siracusa podia imaginar que queimaria a frota inimiga utilizando os espelhos concêntricos desenhados por Arquimedes; o doge podia imaginar que a luneta apresentada por Galileu lhe traria vantagens contra os inimigos de Veneza; mas a corrida pela fabricação da bomba atômica não se resumiu a uma apropriação de teorias feitas, mas se abriu numa corrida vertiginosa para obter novos conhecimentos, somente disponíveis graças ao investimento de capitais fabulosos.
Em que medida o circuito desses capitais determina e é determinado pelo desenvolvimento do saber fazer? Isso se reproduz nos tempos de paz, quando, por exemplo, a associação entre o Estado e a indústria bélica americanos se torna tão potente que o inimigo interno, em particular a guerrilha, se torna muito mais importante do que o inimigo externo.
E a guerrilha não é antes de tudo a vontade de usar procedimentos elementares para emperrar a grande máquina do mundo cotidiano?
Não tem mais sentido dizer que mesmo a produção da ciência pode ser feita para o bem ou para o mal. Ela progride pelo empuxo dos mais fortes politicamente, mas a cada passo adiante ela também abre poros nesse grande sistema, exibindo suas contradições.
De um lado, não há a tecnociência; de outro, há o controle de tudo o que é novo pela dinâmica do capital. A pergunta não consiste então no modo como se exploram a contradições para que uma nova forma de sociabilidade, menos predadora, possa ser pelo menos sonhada?
E o sonho não é técnico.
JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e coordenador da área de filosofia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve regularmente na seção "Autores".
A práxis pedagógica presente e futura e os conceitos de verdade e realidade frente às crises do conhecimento no século xx: Maria Helena Bonilla.
No texto de Bonilla inicialmente ela aborda á questão relacionada ao conceito de verdade e realidade; questão essa que está relacionada ao pensamento humano e sua ação e que segundo Bohm (1989:143) depende da ordem, momento histórico e sociedade, sendo assim surgem as diferentes ideias de ordem dando existência a uma nova cosmovisão. Segundo Bonilla a ligação entre o homem com a natureza passa a ser considerada interativa.
Em um outro momento do texto a autora fala sobre a questão da práxis pedagógica, momento esse que mais chamou minha atenção no texto, pois a mesma fala que á escola dos dias de hoje trabalha no propósito de reprodução e transmissão do modelo hegemônico, fechada à exterioridade. Sendo assim onde fica as transformações que vem ocorrendo nos dias atuais?.
Bonilla em seu texto questiona esse modelo de escola que não consegue abranger complexidade do mundo atual, onde para a mesma precisa acontecer mudanças profundas na sala de aula que reúna novas formas de ser, pensar e de agir,principalmente com a presença das tecnologias da informação e da comunicação ( pg 78,2005,BONILLA).
TEXTO DE
Em um outro momento do texto a autora fala sobre a questão da práxis pedagógica, momento esse que mais chamou minha atenção no texto, pois a mesma fala que á escola dos dias de hoje trabalha no propósito de reprodução e transmissão do modelo hegemônico, fechada à exterioridade. Sendo assim onde fica as transformações que vem ocorrendo nos dias atuais?.
Bonilla em seu texto questiona esse modelo de escola que não consegue abranger complexidade do mundo atual, onde para a mesma precisa acontecer mudanças profundas na sala de aula que reúna novas formas de ser, pensar e de agir,principalmente com a presença das tecnologias da informação e da comunicação ( pg 78,2005,BONILLA).
TEXTO DE
segunda-feira, 29 de março de 2010
O iNada, uma Revolução Tecnológica.
"Frase de um agente publicitário: O problema não é convencer, mas manter viva a idéia de que aquilo é realmente necessário..."
Será que podemos criar um novo comportamento sem imitar?
Estavam todos eufóricos, mas diante de um grande impasse. O produto era revolucionário, mas havia um enorme problema, não tinha utilidade nenhuma, ou seja, não servia para nada; pelo menos nada que pudessem naquele momento vislumbrar. E o departamento de idéias foi chamado para ver se encontrava alguma utilidade para o objeto, e muitas reuniões e debates depois, nada se conseguiu.
“Isso não pode estar acontecendo”, comentou desolado o pesquisador chefe; “é um produto bonito, perfeito em formato e tamanho; vejam que beleza de desenho, e não serve para nada!”.
“Já sei" disse outro, "o departamento de publicidade pode nos ajudar a encontrar uma solução; eles são criativos, vão achar uma utilidade para isso.”. E todos concordaram. Foram então consultar o departamento, e a resposta foi simples e enfática: “Pode trazer; fabricar pode não ser um problema nosso, mas vender qualquer coisa, isso é!”.
Contente com a possibilidade, a comissão de cientistas ainda duvidou: “Olha que isso não é qualquer coisa, pode ser um desafio até para vocês”. E o chefe da publicidade riu e disse: “Somos movidos à desafios!” , e em seguida lembrou do famoso caso do aparelho de barbear a laser, capaz de remover de vez os pelos de qualquer pessoa. O problema é que sem pelos, não haveria mais a necessidade do usuário comprar o aparelho, o que o tornaria um objeto descartável, feito para ser usado uma vez apenas, constituindo um grande problema para a empresa. Mas bastou uma abordagem inteligente e foi um sucesso de vendas, que durava até os dias atuais.
E eles trouxeram o novo e revolucionário invento. E o chefe dos publicitários foi logo perguntando: “O que ele faz?“. “Nada, ele não faz absolutamente nada!” , disse o cientista chefe. Os publicitários se entreolharam por um instante, e depois de cada um examinar pessoalmente o pequeno acessório, comentaram: “É bonitinho. Mas não faz nada; quer dizer, não serve para nada mesmo?“. “Não” , foi o coro unânime dos cientistas. “Mas, se não serve para nada porque foi criado?”.
Aquela era uma pergunta interessante, uma vez que nenhum dos cientistas sabia responder de forma convincente. E um deles disse: “Foi criado, porque ninguém jamais havia criado antes um utilitário absolutamente sem função nenhuma!” . O chefe dos publicitários sorriu e disse: “Vai ser um sucesso de vendas!” . Os outros não conseguiam acreditar naquilo que acabavam de ouvir. Pensavam consigo mesmos; como uma coisa que não serve para nada pode se tornar um sucesso de vendas? Perguntaram então: “Estamos tão curiosos que, gostaríamos de acompanhar a elaboração da campanha. Podemos?”. “Claro que sim” , disse o outro, “afinal, vamos precisar de mais informações técnicas, sobre essa pequena maravilha capaz de não fazer nada!”.
A confiança do chefe da publicidade convenceu à todos. E no dia e hora marcada para início dos trabalhos, o inventor foi pessoalmente explicar sua criação à equipe publicitária. Ele disse:
“Como podem ver, é um aparelho pequeno, leve, fininho como um cartão de crédito, o que permite guardá-lo com facilidade em qualquer lugar. Mais ainda; é todo revestido de titânio prensado, última palavra em materiais duráveis. Assim, tem um tempo de vida útil estimado em 300 anos. É a prova de água, de fogo, de choques, de quedas, uma vez que não tem nada dentro, e portanto nada que possa ser danificado; e não usa bateria. Mas é uma grande descoberta de nossa equipe de inventores, especialmente a cor, que é uma cor inexistente...” . E antes que pudesse concluir, o chefe dos redatores completou: “É por isso que será um sucesso! E mais, ainda não precisa de baterias; perfeito!” . E ele explicou como fariam a abordagem.
“Vamos convencer as pessoas, das vantagens em se possuir um objeto que não serve para nada. Num mundo onde tudo tem uma utilidade, mesmo que não seja uma necessidade, este produto se destaca por não servir para absolutamente nada; é algo portanto, que ninguém ainda possui, diferente de tudo. Todos desejarão um. Depois convenceremos todos que possuir dois é melhor que um, para um caso de eventual perda acidental. Vamos enfatizar na campanha, que tal objeto é uma revolução na conduta do homem desse novo século. Um homem que já possui tudo, e que agora demonstra seu poder de transformação e desapego ao não desejar nada, pois é exatamente o que lhe proporcionará o objeto, nada!”.
Foi um espetacular sucesso, campanha, produto e as vendas. E aquela indústria precisou mesmo criar novas linhas de montagens, para atender os pedidos que não paravam de chegar. Novos modelos foram lançados, novas cores inexistentes, ou até existentes para atender as preferências de alguns grupos, e todos com a mesma característica que ajudou a torná-lo o objeto de desejo mais cobiçado do mundo; isto é, o fato de não servir para absolutamente nada.
Passados os anos, o mercado já saturado de tantos objetos de fazer nada, os “iNadas” como foram chamados, o departamento de publicidade é chamado para resolver uma nova questão: Como fazer para manter, ou mesmo incrementar o volume de vendas do produto. Eles sorriram e disseram:
“Isso é muito simples. Agora vamos incrementar qualquer coisa ao aparelho e anunciar que se trata de uma renovação daquilo que já era novo. Por exemplo, vamos acrescentar ao aparelho de fazer nada, botões coloridos que também não fazem nada, e pode ter certeza de uma coisa; o sucesso será maior que o modelo original”.
E foi!
Autor: Alberto S. Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com
Notas:
[1] Alberto S. Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são bem humoradas fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.
http://sitededicas.uol.com.br/conto_r13.htm
Será que podemos criar um novo comportamento sem imitar?
Estavam todos eufóricos, mas diante de um grande impasse. O produto era revolucionário, mas havia um enorme problema, não tinha utilidade nenhuma, ou seja, não servia para nada; pelo menos nada que pudessem naquele momento vislumbrar. E o departamento de idéias foi chamado para ver se encontrava alguma utilidade para o objeto, e muitas reuniões e debates depois, nada se conseguiu.
“Isso não pode estar acontecendo”, comentou desolado o pesquisador chefe; “é um produto bonito, perfeito em formato e tamanho; vejam que beleza de desenho, e não serve para nada!”.
“Já sei" disse outro, "o departamento de publicidade pode nos ajudar a encontrar uma solução; eles são criativos, vão achar uma utilidade para isso.”. E todos concordaram. Foram então consultar o departamento, e a resposta foi simples e enfática: “Pode trazer; fabricar pode não ser um problema nosso, mas vender qualquer coisa, isso é!”.
Contente com a possibilidade, a comissão de cientistas ainda duvidou: “Olha que isso não é qualquer coisa, pode ser um desafio até para vocês”. E o chefe da publicidade riu e disse: “Somos movidos à desafios!” , e em seguida lembrou do famoso caso do aparelho de barbear a laser, capaz de remover de vez os pelos de qualquer pessoa. O problema é que sem pelos, não haveria mais a necessidade do usuário comprar o aparelho, o que o tornaria um objeto descartável, feito para ser usado uma vez apenas, constituindo um grande problema para a empresa. Mas bastou uma abordagem inteligente e foi um sucesso de vendas, que durava até os dias atuais.
E eles trouxeram o novo e revolucionário invento. E o chefe dos publicitários foi logo perguntando: “O que ele faz?“. “Nada, ele não faz absolutamente nada!” , disse o cientista chefe. Os publicitários se entreolharam por um instante, e depois de cada um examinar pessoalmente o pequeno acessório, comentaram: “É bonitinho. Mas não faz nada; quer dizer, não serve para nada mesmo?“. “Não” , foi o coro unânime dos cientistas. “Mas, se não serve para nada porque foi criado?”.
Aquela era uma pergunta interessante, uma vez que nenhum dos cientistas sabia responder de forma convincente. E um deles disse: “Foi criado, porque ninguém jamais havia criado antes um utilitário absolutamente sem função nenhuma!” . O chefe dos publicitários sorriu e disse: “Vai ser um sucesso de vendas!” . Os outros não conseguiam acreditar naquilo que acabavam de ouvir. Pensavam consigo mesmos; como uma coisa que não serve para nada pode se tornar um sucesso de vendas? Perguntaram então: “Estamos tão curiosos que, gostaríamos de acompanhar a elaboração da campanha. Podemos?”. “Claro que sim” , disse o outro, “afinal, vamos precisar de mais informações técnicas, sobre essa pequena maravilha capaz de não fazer nada!”.
A confiança do chefe da publicidade convenceu à todos. E no dia e hora marcada para início dos trabalhos, o inventor foi pessoalmente explicar sua criação à equipe publicitária. Ele disse:
“Como podem ver, é um aparelho pequeno, leve, fininho como um cartão de crédito, o que permite guardá-lo com facilidade em qualquer lugar. Mais ainda; é todo revestido de titânio prensado, última palavra em materiais duráveis. Assim, tem um tempo de vida útil estimado em 300 anos. É a prova de água, de fogo, de choques, de quedas, uma vez que não tem nada dentro, e portanto nada que possa ser danificado; e não usa bateria. Mas é uma grande descoberta de nossa equipe de inventores, especialmente a cor, que é uma cor inexistente...” . E antes que pudesse concluir, o chefe dos redatores completou: “É por isso que será um sucesso! E mais, ainda não precisa de baterias; perfeito!” . E ele explicou como fariam a abordagem.
“Vamos convencer as pessoas, das vantagens em se possuir um objeto que não serve para nada. Num mundo onde tudo tem uma utilidade, mesmo que não seja uma necessidade, este produto se destaca por não servir para absolutamente nada; é algo portanto, que ninguém ainda possui, diferente de tudo. Todos desejarão um. Depois convenceremos todos que possuir dois é melhor que um, para um caso de eventual perda acidental. Vamos enfatizar na campanha, que tal objeto é uma revolução na conduta do homem desse novo século. Um homem que já possui tudo, e que agora demonstra seu poder de transformação e desapego ao não desejar nada, pois é exatamente o que lhe proporcionará o objeto, nada!”.
Foi um espetacular sucesso, campanha, produto e as vendas. E aquela indústria precisou mesmo criar novas linhas de montagens, para atender os pedidos que não paravam de chegar. Novos modelos foram lançados, novas cores inexistentes, ou até existentes para atender as preferências de alguns grupos, e todos com a mesma característica que ajudou a torná-lo o objeto de desejo mais cobiçado do mundo; isto é, o fato de não servir para absolutamente nada.
Passados os anos, o mercado já saturado de tantos objetos de fazer nada, os “iNadas” como foram chamados, o departamento de publicidade é chamado para resolver uma nova questão: Como fazer para manter, ou mesmo incrementar o volume de vendas do produto. Eles sorriram e disseram:
“Isso é muito simples. Agora vamos incrementar qualquer coisa ao aparelho e anunciar que se trata de uma renovação daquilo que já era novo. Por exemplo, vamos acrescentar ao aparelho de fazer nada, botões coloridos que também não fazem nada, e pode ter certeza de uma coisa; o sucesso será maior que o modelo original”.
E foi!
Autor: Alberto S. Grimm
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
email: alberto.grimm@gmail.com
Notas:
[1] Alberto S. Grimm, é escritor de histórias infantis, e agora nos presenteia com seus contos, como um eventual colaborador do Site de Dicas.
Os contos são bem humoradas fábulas modernas, das quais sempre podemos extrair formidáveis lições de vida, que muito favorece à reflexão.
http://sitededicas.uol.com.br/conto_r13.htm
sábado, 12 de dezembro de 2009
OFICINA DE INTERDISCIPLINARIDADE
O tema dessa equipe foi muito interessante. hoje no meio educacional tem se discutido muito a essa questão. Como trabalha a interdisciplinaridade entre as várias disciplinas que o aluno tem. Acredito que tem que partir primeiramente do professor onde o mesmo tem que querer que ocorra essa relação entre as várias disciplinas sei também que requer o díalogo entre os professores para chegarem a um denominador comum que satisfaça a todos ou pelo menos a grande maioria. Trabalho em um projeto Governo Federal "MAIS EDUCAÇÃO" que visa uma educaçaõ integrada e na medida que possivél procuramos trabalhar em conjunto nas oficinas, uma que tem dado certo é a oficina de direitos humanos com a de meio ambiente. Nos esforçamos para tralharmos cada um em sua oficina contudo ultilizando o mesmo tema. E um processo que acontece aos poucos mais tem dado certo.
OFICINA DE INDICIPLINA
Gostei muito dessa oficina. As meninas conseguiram organizar muito bem a fundamentação teórica com os videos apresentado o que não deixo o trabalho cansativo para quem estava ouvindo e vendo a apresentação. Dentre as outras equipes essa foi a que mais se destacou em termo de fundamentação teórica realmente a epuipe trouxe questões importantes a serem debatidas a cerca da indiciplina; a aplicação do questionário para as equipes foi muito bom.
OFICINA DE LUDICIADE
Apresentação da equipe foi ótima, puder mim identificar bastante pois nesse dia pude participar ativamamente das atividades proposta pela equipe. Confesso que esse era o tema que desejava em primeiro momento ter tirado no sorteio. através dessa oficina pude perceber que a ludicidade não se resume em bricadeira e diversão para a criança mais que essa ludicidade vem acompanha de um próposito que requer que o educador esteja ciente do que está fazendo. Acredito que a ludicidade juntamente com a fundamentaçaõ teórica tem um papel de destaque para a aprendizagem do aluno.
Valeu muito a oficina............................
Valeu muito a oficina............................
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